Educação de filhos é algo um tanto complexo. Isso porque não existe um manual sem falhas que estabeleça a forma precisa de educá-los.

Exatamente porque cada ser humano é único e, assim, o que alguns sugerem em tantos livros pode ser válido para uns. Não para todos.

Por isso, pais e educadores se servem de várias orientações, de Rousseau, Pestalozzi, Piaget aos mais atuais pedagogos.

Existem pais, no entanto, que resolvem se abster de qualquer orientação que catalogam como moderna e dizem que irão educar seus filhos exatamente como foram educados.

Se deu certo para com eles, há de dar certo para seus filhos. A respeito dessa atitude, importante considerar que cada um tem os pais que precisa para seu próprio crescimento.

Nós tivemos os pais que precisávamos. Nossos filhos nos têm. Somos os pais que eles necessitam para a sua condução na vida e crescimento individual.

Dessa forma, o que foi válido para nós, em tempos passados, pode não ter o mesmo peso, a mesma validade para os pequenos de hoje.

Cada criança é um Espírito imortal, que traz sua própria bagagem de conhecimento, de conquistas. Assim, as necessidades dos nossos filhos poderão não ser exatamente as que foram as nossas.

As carências que tivemos poderão não ser as mesmas das crianças de hoje. Da mesma maneira, as virtudes ou os vícios que eles trazem, podem ser totalmente diferentes dos apresentados por nós.


Uma outra forma equivocada de pensar é de que deveremos dar aos nossos filhos tudo aquilo que não tivemos. Convenhamos que não tivemos tantas coisas e elas não nos fizeram realmente falta.

A prova é que nos encontramos hoje no mundo, tendo crescido, formado a própria família, nos realizado profissionalmente. Ou seja, encontramos nosso caminho.

Alguns mais felizes, mais prósperos. Outros, tendo atravessado penúrias, dificuldades mas que nos garantiram enfibratura moral e nobreza de caráter.

O que devemos exaltar em nossos antepassados é exatamente isto: a firmeza de conduta que demonstraram, a sua lucidez de vistas, a noção de limites, a honestidade.

Enfim, valores imperecíveis que devemos repassar aos nossos filhos. Valores de todos os tempos: a honra, a verdade, o trabalho, o servir ao próximo.

No restante, não podemos esquecer que os tempos mudaram, a tecnologia avançou, o mundo está diferente.

Perigos que hoje se fazem presentes, para os pequenos, não existiam nessa dimensão, em nosso tempo.

Divertimentos, brincadeiras – algumas persistem, mas ainda assim, com modificações.

Pensemos nisso e exerçamos nosso sagrado papel de orientadores dessas almas que Deus nos confia para que as auxiliemos a crescer para Ele.

A se transformarem, no mundo, em homens de bem, cidadãos que fazem a diferença onde se encontrem.

Seres interessados no estudo, no trabalho, no pensar um futuro melhor para todos.

Tenhamos a certeza de que não acertaremos o tempo todo, que cometeremos enganos na conduta educacional dos nossos filhos.

Mas guardemos a consciência tranquila de que buscamos lhes ensinar o melhor do bom, do belo, dos valores de um homem integral.


Redação do Momento Espírita, inspirado no seminário Educação e violência, de Raul Teixeira, de 27.4.2003, do VI Simpósio Paranaense de Espiritismo.