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Comemorações já começaram com palestras do escritor Richard Simonetti

{mosimage}Em 18 de abril de 1857, um livro com nome e conteúdo polêmicos, lançado por um cientista francês, marcou o início de uma doutrina diferente, que, por ser ainda desconhecida, assustou a muitas pessoas. Em 2007, completam-se 150 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos (LE) e de uma religião que atualmente possui seguidores em todo o mundo e cresce a cada dia: o espiritismo.
Alvo de críticas e preconceito de diversas outras religiões, a doutrina espírita tem no Brasil seu maior reduto. Segundo o censo demográfico de 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,262 milhões de brasileiros declaram-se espíritas.
Esses adeptos estudam e divulgam os ensinamentos encontrados, principalmente, nas obras de Allan Kardec – o codificador do espiritismo, ou seja, o estudioso que organizou os ensinamentos enviados de outro plano pelos espíritos, por meio dos médiuns (veja quadro).
Como parte das comemorações desses 150 anos, a Federação Espírita Brasileira e a do Distrito Federal fizeram uma programação especial de atividades ao longo do ano em Brasília, que começaram na sexta-feira.
Richard Simonetti, autor de 42 obras espíritas, está na cidade fazendo palestras abertas sobre diversos temas da doutrina e sente-se honrado ao participar desse momento.  “É um marco na história do espiritismo porque o LE é a obra mais importante que nós temos, a base de tudo”, considera. ‘É como as letras do abecedário, para você aprender a ler e escrever precisa conhecê-lo; o que se faz, escreve e o próprio desdobramento da doutrina surgiu desse livro”, conta.
Segundo os espíritas, sua doutrina revela “o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento”. Isso porque, para eles, o que morre é apenas o corpo material. A parte inteligente do ser humano, o espírito – conhecido em outras religiões como alma –, mantém sua individualidade antes, durante e depois de cada vida terrena. Assim, retorna a outro corpo, enquanto for necessário, para depurar suas imperfeições, a fim de evoluir a cada reencarnação (veja vocabulário).

Doutrina tem raízes cristãs

Os princípios espíritas têm sido amplamente tratados em programas de televisão, como nas novelas Páginas da Vida e O Profeta, da Rede Globo. Na primeira, a personagem Nanda aparece depois de morta para familiares e provoca fenômenos como queda de objetos e barulhos, todos explicados pelo espiritismo. “Isso acontece de verdade, quando há um médium no local”, esclarece Richard Simonetti.
Ser médium, ou seja, apresentar a capacidade de ter contato com o mundo espiritual, não é exclusividade dos espíritas. “Muitas idéias que surgem na nossa cabeça são fruto de influências espirituais, mas o que funciona como médium ativamente é aquele que tem uma sensibilidade maior que o habilita a captar e transmitir os pensamentos dos espíritos”, orienta o escritor.
Por tratar-se do que os espíritas chamam de fé raciocinada, o espiritismo baseia-se em três aspectos. “É uma filosofia que tem bases científicas e conseqüências religiosas, o que quer dizer que os princípios foram testados e comprovados por meio do estudo e método científico”, aponta Simonetti. “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”, diz Kardec, em uma de suas obras. O pilar religioso deve-se à crença em Deus e na sobrevivência da alma.
Ao contrário do que muitos pensam, o espiritismo não refuta o que foi dito por Jesus e é, portanto, uma religião cristã. “Ele lança luzes sobre os ensinamentos de Cristo que à época pareciam estranhos e traz lições novas que a humanidade naquela época não tinha condições morais de receber”, complementa Simonetti.
Uma grande diferença do espiritismo em relação às demais religiões é a ausência de imagens e sacerdotes. “A doutrina espírita não tem ofícios nem oficiantes, nem ritos nem rezas ou culto exterior, pois preceitua que a nossa comunhão com Deus é um ato pessoal e intransferível, não posso eleger um intermediário, Ele deve ser adorado em espírito”, detalha o escritor.
Outro ponto relevante é a forma como os espíritas encaram a morte. “Ensinamos que ninguém morre, apenas muda de residência; vai para um lugar de onde espera o reencontro feliz com quem ficou, mais tarde”, explica Simonetti. A jovem Jéssica de Melo Barbosa, 15 anos, é espírita de nascença e considera esse o melhor aspecto da doutrina. “É muito consolador saber que do outro lado ainda existe vida”, comenta.
Segundo Richard Simonetti, além de todas essas questões, a grande bandeira do espiritismo é uma frase citada por Kardec: “Fora da caridade não há salvação”. Os espíritas têm como objetivo principal auxiliar o próximo, uma forma de depurar suas imperfeições. “A caridade é um antídoto para o egoísmo, que é o maior mal da humanidade”, ressalta Simonetti. (A.C.)

Como surgiu o Espiritismo

As idéias que alicerçam a doutrina espírita foram sistematizadas pelo francês Hippolyte Leon Denizard Rivail, nascido em Lyon, em 1804 e utilizava o pseudônimo de Allan Kardec. Ele se interessou pelos fenômenos que aconteciam em todo o mundo, chamados de mesas girantes, as quais pareciam ter uma mente inteligente por trás de seus movimentos. Ao pesquisar os acontecimentos, Kardec observou que as mesas respondiam a perguntas e, com esse método, bem como utilizando a intermediação de médiuns da época, escreveu a obra básica do espiritismo: O Livro dos Espíritos, em 1857. O livro serviu de base para suas outras quatro obras, referências para a doutrina: o livro dos Médiuns, O evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese. Desde então, diversos médiuns e escritores, com ou sem a influência dos espíritos, contribuíram com o acervo de livros que explicam a doutrina.

Vocabulário espírita

Reencarnação: Suceder de existências na carne, uma oportunidade para o espírito resgatar débitos contraídos em outras vidas. A alma, depois de ter deixado um corpo, nasce em outro para o seu melhoramento progressivo, até chegar à perfeição. “A reencarnação é uma escola em que nós vamos desenvolvendo nossas potencialidades e superando nossas limitações”, explica Richard Simonetti. “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”, diz Kardec em um de seus livros.
Desencarnar: Como o próprio nome diz, trata-se de deixar a carne, deixar o mundo material, seria a morte para quem acredita que ela existe, mas é a libertação do espírito, para os adeptos do espiritismo. “O corpo físico é uma máquina que nós usamos para as experiências na carne com tempo de validade”, esclarece Simonetti.
Médium: Segundo Allan Kardec, todos os homens são médiuns, pois têm a capacidade de captar os pensamentos dos espíritos e receber, de alguma forma, sua influência.


Autor: Adriana Caitano
Fonte : Tribuna do Brasil - http://www.tribunadobrasil.com.br/?ntc=36664&ned=1939
Data : 03 de março de 2007