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Intervenção dos demônios nas manifestações modernas

1. – Os fenômenos espíritas modernos chamaram a atenção para os fatos análogos que ocorreram em todas as épocas, e a história nunca foi tão consultada a esse respeito quanto nestes últimos tempos. Da semelhança dos efeitos, concluiu-se pela unidade da causa. Como para todos os fatos extraordinários cuja razão é desconhecida, a ignorância viu aí uma causa sobrenatural, e a superstição amplificou-os acrescentando-lhes crenças absurdas; daí uma multidão de lendas que, na maior parte, são uma mistura de um pouco de verdade e de muita mentira.

2. – As doutrinas sobre o demônio, que prevaleceram por tanto tempo, haviam exagerado tanto o seu poder, que tinham, por assim dizer, feito esquecer Deus; é por isso que lhe concediam o mérito de tudo o que parecia ultrapassar o poder humano; em toda a parte aparecia a mão de Satã; as melhores coisas, as descobertas mais úteis, todas aquelas que podiam tirar o homem da ignorância e alargar o círculo de suas ideias, foram muitas vezes olhadas como obras diabólicas. Os fenômenos espíritas, multiplicados em nossos dias, mais bem observados sobretudo com a ajuda das luzes da razão e dos dados da ciência, confirmaram, é verdade, a intervenção de inteligências ocultas, mas agindo sempre dentro dos limites das leis da natureza, e revelando, por sua ação, uma nova força e leis desconhecidas até este dia. A questão se reduz, portanto, a saber de que ordem são essas inteligências.

Enquanto não se teve sobre o mundo espiritual senão noções incertas ou sistemáticas, pôde haver equívoco; mas hoje que observações rigorosas e estudos experimentais esclareceram a natureza dos Espíritos, sua origem e seu destino, seu papel no universo e seu modo de ação, a questão está resolvida pelos fatos. Sabe-se agora que são almas daqueles que viveram na terra. Sabe-se também que as diversas categorias de Espíritos bons e maus não constituem seres de diferentes espécies, mas assinalam apenas graus diversos de avanço. Segundo a posição que ocupam, em razão de seu desenvolvimento intelectual e moral, aqueles que se manifestam apresentam-se sob aspectos muito opostos, o que não os impede de terem saído da grande família humana, tanto quanto o selvagem, o bárbaro e o homem civilizado.


3. – Sobre este ponto, como sobre muitos outros, a Igreja mantém suas velhas crenças no que se refere aos demônios. Ela diz: “Temos princípios que não variaram desde há dezoito séculos e que são imutáveis.” Seu erro é precisamente não levar em conta o progresso das ideias, e crer Deus muito pouco sábio para não proporcionar a revelação ao desenvolvimento da inteligência, para usar com os homens primitivos a mesma linguagem que com os homens avançados. Se, enquanto a humanidade avança, a religião se agarra aos velhos erros, tanto em matéria espiritual quanto em matéria científica, chega um momento em que ela é ultrapassada pela incredulidade.

4. – Eis como a Igreja explica a intervenção exclusiva dos demônios nas manifestações modernas. *

“Em sua intervenção exterior, os demônios não estão menos atentos a dissimular sua presença, para afastar as suspeitas. Sempre ardilosos e pérfidos, atraem o homem para as suas emboscadas antes de lhe imporem as correntes da opressão e da servidão. Aqui, despertam a curiosidade por fenômenos e jogos pueris; ali, impressionam pelo espanto e subjugam pela atração do maravilhoso. Se o sobrenatural aparece, se seu poder os desmascara, eles acalmam e apaziguam as apreensões, solicitam a confiança, provocam a familiaridade. Ora se fazem passar por divindades e bons gênios; ora tomam emprestados os nomes e mesmo os traços dos mortos que deixaram uma memória entre os vivos. Graças a essas fraudes dignas da antiga serpente, eles falam, e são escutados; eles dogmatizam, e crê-se neles; misturam a suas mentiras algumas verdades, e fazem aceitar o erro sob todas as formas. É aí que desembocam as pretensas revelações de além-túmulo; é para obter esse resultado que a madeira, a pedra, as florestas e as fontes, o santuário dos ídolos, o pé das mesas, a mão das crianças, proferem oráculos; é por isso que a pitonisa profetiza em seu delírio, e que o ignorante, num misterioso sono, se torna subitamente o doutor da ciência. Enganar e perverter, tal é, em toda parte e em todos os tempos, o objetivo final dessas estranhas manifestações.

Os resultados surpreendentes dessas observâncias ou desses atos, na maioria bizarros e ridículos, não podendo proceder de sua virtude intrínseca, nem da ordem estabelecida por Deus, não se pode esperá-los a não ser do concurso das potências ocultas. Tais são, notadamente, os fenômenos extraordinários obtidos, em nossos dias, pelos procedimentos, em aparência inofensivos do magnetismo, e o órgão inteligente das mesas falantes. Por meio dessas operações da magia moderna, vemos reproduzirem-se entre nós as evocações e os oráculos, as consultas, as curas e os prestígios que ilustraram os templos dos ídolos e os antros das sibilas. Como antigamente, comanda-se a madeira e a madeira obedece; interroga-se, e ela responde em todas as línguas e sobre todas as questões; fica-se na presença de seres invisíveis que usurpam os nomes dos mortos, e cujas pretensas revelações são marcadas pelo cunho da contradição e da mentira; formas ligeiras e sem consistência aparecem de repente, e se mostram dotadas de força sobre-humana.

Quais são os agentes secretos desses fenômenos, e os verdadeiros atores dessas cenas inexplicáveis? Os anjos não aceitariam esses papéis indignos, e não se prestariam a todos os caprichos de uma vã curiosidade. As almas dos mortos, que Deus proíbe consultar, permanecem na morada que sua justiça lhes designou, e elas não podem, sem sua permissão, pôr-se às ordens dos vivos. Os seres misteriosos que acorrem assim ao primeiro apelo do herético e do ímpio como do fiel, do crime como da inocência, não são nem os enviados de Deus, nem os apóstolos da verdade e da salvação, mas os sequazes do erro e do inferno. Apesar do cuidado que tomam de se esconder sob os nomes mais veneráveis, traem-se pelo vazio de suas doutrinas, não menos do que pela baixeza de seus atos e a incoerência de suas palavras. Esforçam-se por apagar do símbolo religioso os dogmas do pecado original, da ressurreição dos corpos, da eternidade das penas, e toda a revelação divina, a fim de retirar às leis sua verdadeira sanção, e abrir ao vício todas as barreiras. Se suas sugestões pudessem prevalecer, elas formariam uma religião cômoda, para uso do socialismo e de todos aqueles que a noção do dever e da consciência importuna. A incredulidade de nosso século preparou-lhes o caminho. Possam as sociedades cristãs, por um retorno sincero à fé católica, escapar ao perigo desta nova e temível invasão!”

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* As citações deste capítulo são tiradas da mesma pastoral que as do capítulo precedente do qual são a sequência, e têm a mesma autoridade.

5. – Toda esta teoria repousa sobre este princípio, de que os anjos e os demônios são seres distintos das almas dos homens, e que estas são o produto de uma criação especial, inferior mesmo aos demônios, em inteligência, em conhecimentos e faculdades de toda sorte. Ela conclui pela intervenção exclusiva dos maus anjos nas manifestações antigas e modernas atribuídas aos Espíritos dos mortos.

A possibilidade para as almas de se comunicarem com os vivos é uma questão de fato, um resultado de experiência e de observação que não discutiremos aqui. Mas admitamos, por hipótese, a doutrina acima, e vejamos se ela não se destrói por seus próprios argumentos.

6. – Nas três categorias de anjos, segundo a Igreja, uma ocupa-se exclusivamente do céu; outra do governo do universo; a terceira está encarregada da terra, e nesta se encontram os anjos da guarda nomeados para a proteção de cada indivíduo. Somente uma parte dos anjos desta categoria tomou parte na revolta e foi transformada em demônios. Se Deus permitiu a estes últimos impelir os homens à sua perda, pelas sugestões de todos os gêneros e manifestações ostensivas, por que, se ele é soberanamente justo e bom, lhes teria concedido o imenso poder de que gozam, deixado uma liberdade de que fazem tão pernicioso uso, sem permitir aos bons anjos fazerem um contrapeso por manifestações semelhantes dirigidas para o bem? Admitamos que Deus tenha dado uma parte igual de poder aos bons e aos maus, o que seria já um favor exorbitante em benefício destes últimos, o homem ao menos teria sido livre para escolher; mas dar-lhes o monopólio da tentação, com a faculdade de simular o bem a ponto de enganarem, para seduzir mais facilmente, seria uma verdadeira armadilha montada à sua fraqueza, sua inexperiência, sua boa fé; digamos mais: seria abusar de sua confiança em Deus. A razão recusa-se a admitir tal parcialidade em benefício do mal. Vejamos os fatos.

7. – Concedem-se aos demônios faculdades transcendentes; eles não perderam nada de sua natureza angélica; têm o saber, a perspicácia, a previdência, a clarividência dos anjos, e ademais, a astúcia, a habilidade e o ardil em supremo grau. Seu objetivo é desviar os homens do bem, e, acima de tudo, afastá-los de Deus para carregá-los para o inferno do qual são os provedores e recrutadores.

Compreende-se que eles se dirijam aos que estão no bom caminho e que estão perdidos para eles se persistirem nesse caminho; compreende-se a sedução e o simulacro do bem para atraí-los às suas redes; mas o que é incompreensível é que eles se dirijam aos que já lhes pertencem de corpo e alma para levá-los de volta a Deus e ao bem; ora, quem está mais em suas garras do que aqueles que renega e blasfema Deus, que mergulha no vício e na desordem das paixões? Já não está esse no caminho do inferno? Compreende-se que, seguro de sua presa, ele a excite a rezar a Deus, a submeter-se à sua vontade, a renunciar ao mal; que ele exalte aos olhos dele as delícias da vida dos bons Espíritos, e lhe pinte com horror a posição dos maus? Já se viu alguma vez um vendedor gabar a seus clientes a mercadoria do vizinho em detrimento da sua e incitá-los a ir à loja dele? Um recrutador depreciar a vida militar, e louvar o repouso da vida doméstica? Dizer aos recrutas que terão uma vida de fadigas e de privações; que têm dez chances em uma de ser mortos ou pelo menos perder os braços e as pernas?

Entretanto, é esse o papel estúpido que se faz o demônio representar, pois há um fato notório, é que em consequência das instruções emanadas do mundo invisível, veem-se todos os dias incrédulos e ateus levados de volta a Deus e rezarem com fervor, o que nunca tinham feito; pessoas viciosas trabalharem com ardor no seu aperfeiçoamento. Pretender que essa é a obra dos ardis do demônio é fazer dele um verdadeiro néscio. Ora, como não se trata aqui de uma suposição, mas de um resultado de experiência, e que contra um fato não há denegação possível, é preciso concluir daí ou que o demônio é um desastrado de primeiro grau, que não é nem tão ardiloso nem tão maligno quanto se pretende, e por conseguinte não é muito de se temer, visto que trabalha contra seus interesses, ou então que nem todas as manifestações são dele.

8. – “Eles fazem aceitar o erro sob todas as suas formas; é para obter esse resultado que a madeira, a pedra, as florestas e as fontes, o santuário dos ídolos, o pé das mesas, a mão das crianças, proferem oráculos.”

Qual é então, de acordo com isso, o valor destas palavras do Evangelho: “Derramarei do meu espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão; os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos. – Naqueles dias, derramarei do meu espírito sobre meus servos e sobre minhas servas, e eles profetizarão.” (Atos dos Apóstolos, cap. II, v. 17, 18). Não é a predição da medianimidade dada a todo o mundo, mesmo às crianças, e que se realiza em nossos dias? Os Apóstolos lançaram o anátema sobre essa faculdade? Não; eles a anunciam como um favor de Deus, e não como a obra do demônio. Os teólogos atuais sabem, portanto, mais sobre esse ponto do que os Apóstolos? Não deveriam ver o dedo de Deus no cumprimento dessas palavras?

9. – “Por meio dessas operações da magia moderna vemos se reproduzirem entre nós as evocações e os oráculos, as consultas, as curas e os prestígios que ilustraram os templos dos ídolos e os antros das sibilas.”

Onde se veem as operações da magia nas evocações espíritas? Tempo houve em que se podia crer na sua eficácia, mas hoje em dia elas são ridículas; ninguém crê nelas, e o Espiritismo condena-as. Na época em que a magia florescia, tinha-se apenas uma ideia muito imperfeita sobre a natureza dos Espíritos que eram olhados como seres dotados de um poder sobre-humano; eram chamados para obter-se deles, mesmo ao preço da alma, os favores da sorte e da fortuna, a descoberta dos tesouros, a revelação do futuro, ou filtros. A magia, com o auxílio de seus sinais, fórmulas e operações cabalísticas, devia fornecer pretensos segredos para operar prodígios, coagir os Espíritos a porem-se a serviço dos homens e lhes satisfazerem os desejos. Hoje sabe-se que os Espíritos não são senão as almas dos homens; não são chamados a não ser para receber os conselhos dos bons, moralizar os imperfeitos, e para continuar as relações com os seres que nos são caros. Eis o que diz o Espiritismo a esse respeito.

10. – Não há nenhum meio de coagir um Espírito a vir contra sua vontade, se ele for vosso igual ou vosso superior em moralidade, porque não tendes nenhuma autoridade sobre ele; se ele for vosso inferior, vós o podeis, se for para seu bem, pois então outros Espíritos vos secundam. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– A mais essencial de todas as disposições para as evocações é o recolhimento, quando se quer lidar com Espíritos sérios. Com a fé e o desejo do bem, é-se mais poderoso para evocar os Espíritos superiores. Elevando a alma, por alguns instantes de recolhimento no momento da evocação, é possível identificar-se com os bons Espíritos, e dispô-los a vir. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– Nenhum objeto, medalha ou talismã tem a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos; a matéria não tem nenhuma ação sobre eles. Um bom Espírito nunca aconselha semelhantes absurdos. A virtude dos talismãs nunca existiu a não ser na imaginação das pessoas crédulas. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– Não há fórmula sacramental para a evocação dos Espíritos. Todo aquele que pretenda estabelecer uma, pode corajosamente ser tachado de charlatanismo, pois para os Espíritos a forma não é nada. Todavia, a evocação deve ser feita sempre em nome de Deus. (Livro dos médiuns, cap. XVII.)

– Os Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres e fora de horas, são Espíritos que se divertem à custa dos que os escutam. É sempre inútil e muitas vezes perigoso ceder a tais sugestões; inútil porque só se ganha com isso o ser-se mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos podem fazer, mas pela influência que isso pode exercer sobre cérebros fracos. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– Não há dias nem horas mais especialmente propícios às evocações; isso é completamente indiferente para os Espíritos, como tudo o que é material, e seria uma superstição crer nessa influência. Os momentos mais favoráveis são aqueles em que o evocador pode estar menos distraído por suas ocupações habituais; em que seu corpo e seu Espírito estão mais calmos. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– A crítica malévola teve prazer em representar as comunicações espíritas como cercadas pelas práticas ridículas e supersticiosas da magia e da necromancia. Se aqueles que falam do Espiritismo sem o conhecer se tivessem dado ao trabalho de estudar aquilo de que querem falar, ter-se-iam poupado esforços de imaginação ou alegações que servem somente para provar sua ignorância ou sua má vontade. Para a edificação das pessoas alheias à ciência, diremos que não há, para se comunicar com os Espíritos, nem dias, nem horas, nem lugares que sejam mais propícios do que outros; que não é preciso, para evocá-los, nem fórmulas, nem palavras sacramentais ou cabalísticas; que não se precisa de nenhuma preparação nem de nenhuma iniciação; que o emprego de todo sinal ou objeto material, quer para atraí-los, quer para repeli-los, é sem efeito, e o pensamento basta; enfim, que os médiuns recebem as comunicações deles sem sair de seu estado normal, tão simples e naturalmente como se elas fossem ditadas por uma pessoa viva. Unicamente o charlatanismo poderia afetar maneiras excêntricas e acrescentar acessórios ridículos. (O que é o Espiritismo? cap. II, n0 49.)

– Em princípio, o futuro deve ser ocultado ao homem; é apenas em casos raros e excepcionais que Deus permite sua revelação. Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se uma coisa deve acontecer, ele não tem que se preocupar com isso, ou então procuraria entravá-lo. Deus não quis que assim fosse, a fim de que cada indivíduo concorresse para a realização das coisas, mesmo daquelas às quais ele gostaria de se opor. Deus permite a revelação do futuro quando esse conhecimento prévio deve facilitar a realização da coisa em vez de entravá-la, impelindo a agir diferentemente do que se teria feito sem isso. (Livro dos Espíritos, l. III, cap. X.)

– Os Espíritos não podem guiar nas pesquisas científicas e nas descobertas. A ciência é a obra do gênio; não se deve adquirir senão pelo trabalho, pois é unicamente pelo trabalho que o homem avança em seu caminho. Que mérito teria ele se lhe bastasse interrogar os Espíritos para saber tudo? Qualquer imbecil poderia tornar-se cientista a esse preço. O mesmo ocorre com as invenções e descobertas da indústria.

Quando chegou o tempo de uma descoberta, os Espíritos encarregados de dirigir sua marcha procuram o homem capaz de levá-la a bom termo, e inspiram-lhe as ideias necessárias, de maneira a deixar-lhe todo o mérito, pois essas ideias, é preciso que ele as elabore e as empregue. Isso acontece com todos os grandes trabalhos da inteligência humana. Os Espíritos deixam cada homem na sua esfera; daquele que é próprio apenas para cavar a terra, não farão o depositário dos segredos de Deus; mas saberão tirar da obscuridade o homem capaz de secundar seus desígnios. Não vos deixeis, portanto, arrastar pela curiosidade ou a ambição, numa via que não é o objetivo do Espiritismo, e que vos conduziria às mais ridículas mistificações. (Livro dos médiuns, cap. XXVI.)

– Os Espíritos não podem fazer descobrir os tesouros escondidos. Os Espíritos superiores não se ocupam dessas coisas; mas Espíritos zombeteiros frequentemente indicam tesouros que não existem, ou podem fazer ver um tesouro num lugar, ao passo que está no lugar oposto; e isso tem sua utilidade para mostrar que a verdadeira fortuna está no trabalho. Se a Providência destina riquezas escondidas a alguém, ele as encontrará naturalmente, e não de outra forma. (Livro dos médiuns, cap. XXVI.)

– O Espiritismo, esclarecendo-nos sobre as propriedades dos fluidos que são os agentes e os meios de ação do mundo invisível, e constituem uma das forças e uma das potências da natureza, nos dá a chave de uma quantidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio, e que passaram, nos tempos recuados, por prodígios. Ele revela, assim como o magnetismo, uma lei, se não desconhecida, ao menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, conheciam-se os efeitos, pois eles se produziram em todos os tempos, mas não se conhecia a lei, e foi a ignorância dessa lei que engendrou a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece, e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis porque os espíritas não fazem mais milagres fazendo escrever os mortos ou girar uma mesa, do que o médico fazendo reviver um moribundo, ou o físico fazendo cair o raio. Aquele que pretendesse, com o auxílio desta ciência, fazer milagres, seria ou um ignorante da coisa, ou um impostor. (Livro dos médiuns, cap. II.)

– Certas pessoas fazem uma ideia muito falsa das evocações; há as que creem que elas consistem em fazer voltar os mortos com o aparato lúgubre do túmulo. É apenas nos romances, nos contos fantásticos de fantasmas e no teatro que se veem os mortos ressequidos sair de seus sepulcros, vestidos ridiculamente de mortalhas, e fazendo bater os ossos. O Espiritismo, que nunca fez milagres, não fez esse milagre mais do que outros, e nunca fez reviver um corpo morto; quando o corpo está na sepultura, está lá definitivamente; mas o ser espiritual, fluídico, inteligente, não foi para o túmulo com seu invólucro grosseiro; separou-se dele no momento da morte, e uma vez operada a separação, um não tem mais nada em comum com o outro. (O que é o Espiritismo? cap. II, n0 48.)

11. – Estendemo-nos sobre essas citações para mostrar que os princípios do Espiritismo não têm nenhuma relação com os da magia. Assim, não há Espíritos às ordens dos homens, não há meios de coagi-los, não há sinais ou fórmulas cabalísticos, não há descobertas de tesouros ou procedimentos para enriquecer, nada de milagres ou prodígios, não há adivinhações nem aparições fantásticas; nada enfim do que constitui o objetivo e os elementos essenciais da magia; não só o Espiritismo desaprova todas essas coisas, como demonstra sua impossibilidade e ineficácia. Não há portanto nenhuma analogia entre o fim e os meios da magia e os do Espiritismo; querer assimilá-los não pode ser devido senão à ignorância ou má fé; e como os princípios do Espiritismo não têm nada secreto, são formulados em termos claros e sem equívoco, o erro não poderia prevalecer.

Quanto aos fatos de curas, reconhecidos reais na pastoral citada precedentemente, o exemplo é mal escolhido para afastar das relações com os Espíritos. É um dos benefícios que mais tocam e que todos podem apreciar; poucas pessoas estarão dispostas a renunciar a isso, sobretudo depois de terem esgotado todos os outros meios, pelo temor de serem curados pelo diabo; mais de um, ao contrário, dirá que se o diabo o cura, faz uma boa ação. *

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* Querendo persuadir pessoas curadas pelos Espíritos de que o haviam sido pelo diabo, separou-se radicalmente da Igreja grande número dessas pessoas que não pensavam em deixá-la.


12.– “Quais são os agentes secretos desses fenômenos e os verdadeiros atores dessas cenas inexplicáveis? Os anjos não aceitariam esses papéis indignos, e não se prestariam a todos os caprichos de uma vã curiosidade.”

O autor quer falar das manifestações físicas dos Espíritos; na totalidade, há umas que seriam evidentemente pouco dignas de Espíritos superiores; e se substituírdes a palavra anjos por puros Espíritos, ou Espíritos superiores, tereis exatamente o que diz o Espiritismo. Mas não se poderia pôr na mesma linha as comunicações inteligentes pela escrita, a fala, a audição ou qualquer outro meio, que não são mais indignas dos bons Espíritos do que o são na terra dos homens mais eminentes, nem as aparições, as curas e uma quantidade de outras que os livros sagrados citam em profusão como sendo a realização dos anjos ou dos santos. Se então os anjos e os santos produziram outrora fenômenos semelhantes, por que não os produziriam hoje? Por que os mesmos feitos seriam hoje obra do demônio nas mãos de certas pessoas, ao passo que são considerados milagres santos em outras? Sustentar semelhante tese é abdicar de toda lógica.

O autor da pastoral está errado quando diz que esses fenômenos são inexplicáveis. Ao contrário, eles são hoje perfeitamente explicados, e é por isso que não são mais vistos como maravilhosos e sobrenaturais; e ainda que não o fossem, não seria mais lógico atribuí-los ao diabo, do que era outrora dar-lhe a honra de todos os efeitos naturais que não se compreendiam.

Por papéis indignos, é preciso entender os papéis ridículos e aqueles que consistem em fazer o mal; mas não se pode qualificar assim o dos Espíritos que fazem o bem, e reconduzem os homens a Deus e à virtude. Ora o Espiritismo diz expressamente que os papéis indignos não estão nas atribuições dos Espíritos superiores, assim como o provam os preceitos seguintes:

13.– Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradição; ela respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das ideias é quase sempre compensado pela abundância das palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito.

– Os Espíritos superiores ocupam-se apenas das comunicações inteligentes com vistas a nossa instrução; as manifestações físicas ou puramente materiais são mais especialmente atribuições dos Espíritos inferiores, vulgarmente designados sob o nome de Espíritos batedores; como entre nós, as proezas admiráveis são feitos de saltimbancos e não de cientistas. Seria absurdo pensar que os Espíritos um pouco elevados se divirtam exibindo-se. (O que é o Espiritismo? Cap. II, n0s 37, 38, 39, 40 e 60. – Ver também: Livro dos Espíritos, liv. II, cap. I: Diferentes ordens de Espíritos; escala espírita. Livro dos médiuns, 2a parte, cap. XXIV: Identidade dos Espíritos; Distinção dos bons e dos maus Espíritos.)

Qual é o homem de boa fé que pode ver nesses preceitos um papel indigno atribuído aos Espíritos elevados? Não só o Espiritismo não confunde os Espíritos, mas, enquanto se atribui aos demônios uma inteligência igual à dos anjos, ele constata, pela observação dos fatos, que os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes, que seu horizonte moral é limitado, sua perspicácia restrita; que eles têm das coisas uma ideia muitas vezes falsa e incompleta, e são incapazes de resolver certas questões, o que os tornaria incapazes de fazer tudo o que se atribui aos demônios.

14.– “As almas dos mortos, que Deus proíbe consultar, permanecem na morada que sua justiça lhes designou, e elas não podem, sem sua permissão, pôr-se às ordens dos vivos.”

O Espiritismo diz também que elas não podem vir sem a permissão de Deus, mas ele é ainda bem mais rigoroso, pois diz que nenhum Espírito, bom ou mau, pode vir sem essa permissão, ao passo que a Igreja atribui aos demônios o poder de dispensá-la. Ele vai ainda mais longe, visto dizer que, mesmo com essa permissão, quando eles acorrem ao apelo dos vivos, não é para se porem às suas ordens.

O Espírito evocado vem voluntariamente, ou é coagido a isso? – Ele obedece à vontade de Deus, ou seja, à lei geral que rege o universo; ele julga se é útil vir, e ainda nisso está seu livre-arbítrio. O Espírito superior vem sempre que é chamado para um objetivo útil; só se recusa a responder nos meios de pessoas pouco sérias e que tratam a coisa como brincadeira. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

– O Espírito evocado pode se recusar a vir ao chamado que lhe é feito? – Perfeitamente; onde estaria seu livre-arbítrio sem isso? Credes que todos os seres do universo estejam às vossas ordens? E vós mesmos, credes que sois obrigados a responder a todos aqueles que pronunciam vosso nome? Quando digo que ele pode se recusar, entendo ao pedido do evocador, pois um Espírito inferior pode ser coagido a vir por um Espírito superior. (Livro dos médiuns, cap. XXV.)

Os espíritas estão tão convencidos de que não têm nenhum poder direto sobre os Espíritos, e nada podem obter deles sem a permissão de Deus, que, quando chamam um Espírito qualquer, dizem: Peço a Deus todo-poderoso que permita a um bom Espírito se comunicar comigo; peço também a meu anjo guardião para me assistir e afastar os maus Espíritos; ou então, quando se trata do chamado de um Espírito determinado: Peço a Deus todo-poderoso que permita ao Espírito de fulano se comunicar comigo. (Livro dos médiuns, cap. XVII, n0 203.)

15.– As acusações lançadas pela Igreja contra a prática das evocações não dizem portanto respeito ao Espiritismo, visto que elas se referem principalmente às operações da magia com a qual ele nada tem em comum; que ele condena nessas operações o que ela mesma condena; que ele não faz os bons Espíritos desempenharem um papel indigno deles, e, enfim, que ele declara nada pedir e nada obter sem a permissão de Deus.

Sem dúvida pode haver pessoas que abusam das evocações, que fazem disso um jogo, que as desviam de seu objetivo providencial para fazê-las servir a seus interesses pessoais, que, por ignorância, leviandade, orgulho ou cupidez, se afastam dos verdadeiros princípios da doutrina; mas o Espiritismo sério desautoriza-as, como a verdadeira religião desautoriza os falsos devotos e os excessos do fanatismo. Logo, não é lógico nem equitativo imputar ao Espiritismo em geral os abusos que ele condena, ou as faltas daqueles que não o compreendem. Antes de formular uma acusação, é preciso ver se ela acerta seu alvo. Diremos, portanto: A reprovação da Igreja cai sobre os charlatães, os exploradores, as práticas da magia e da feitiçaria; nisso, ela tem razão. Quando a crítica religiosa ou cética condena os abusos e estigmatiza o charlatanismo, faz destacar-se ainda melhor a pureza da sã doutrina que ela ajuda assim a se desembaraçar das más escórias; nisso ela facilita nossa tarefa. Seu erro é confundir o bem e o mal, por ignorância entre a maioria, por má fé em alguns; mas a distinção que ela não faz, outros fazem. Em todos os casos sua reprovação, à qual todo espírita sincero se associa no limite do que se aplica ao mal, não pode atingir a doutrina.

16.– “Os seres misteriosos que acorrem assim ao primeiro apelo do herético e do ímpio como do fiel, do crime como da inocência, não são nem os enviados de Deus, nem os apóstolos da verdade e da salvação, mas os sequazes do erro e do inferno.”

Assim, ao herético, ao ímpio, ao criminoso, Deus não permite que bons Espíritos venham tirá-los do erro para salvá-los da perdição eterna! Ele não lhes envia senão os sequazes do inferno para os afundar ainda mais no lodaçal! Pior, ele não envia à inocência senão seres perversos para pervertê-la! Não se encontra então entre os anjos, essas criaturas privilegiadas de Deus, nenhum ser suficientemente compassivo para vir socorrer essas almas perdidas? Para que as brilhantes qualidades de que são dotados, se não servem senão para seus gozos pessoais? São eles realmente bons se, mergulhados nas delícias da contemplação, veem essas almas no caminho do inferno, sem as vir desviar daí? Não é a imagem do rico egoísta que, tendo tudo em profusão, deixa sem compaixão o pobre morrer de fome à sua porta? Não é o egoísmo erigido em virtude e posto até aos pés do Eterno?

Vós vos espantais que os bons Espíritos vão ao herético e ao ímpio; esqueceis portanto esta fala do Cristo: “Não é aquele que está bem que precisa de médico.” Não veríeis as coisas de um ponto mais elevado do que os fariseus de seu tempo? E vós, se fordes chamado por um descrente, recusareis ir a ele para pô-lo no bom caminho? Os bons Espíritos fazem, então, o que vós faríeis; eles vão ao ímpio fazê-lo ouvir boas palavras. Em vez de jogar o anátema nas comunicações de além-túmulo, bendizei os caminhos do Senhor, e admirai sua onipotência e sua bondade infinita.

17. – Há, diz-se, os anjos guardiães; mas, quando esses anjos guardiães não se podem fazer ouvir pela voz misteriosa da consciência ou da inspiração, por que não empregariam eles meios de ação mais diretos e mais materiais, de natureza a impressionar os sentidos, já que os meios existem? Deus põe portanto esses meios, que são sua obra, visto que tudo vem dele e que nada ocorre sem sua permissão, à disposição unicamente dos maus Espíritos, ao passo que recusa aos bons servirem-se deles? De onde é preciso concluir que Deus dá aos demônios mais facilidades para perder os homens do que dá aos anjos guardiães para salvá-los.

Pois bem! o que os anjos guardiães não podem fazer, segundo a Igreja, os demônios fazem por eles; com a ajuda dessas mesmas comunicações ditas infernais, eles trazem de volta a Deus aqueles que o renegavam, e ao bem aqueles que estavam mergulhados no mal; eles nos dão o estranho espetáculo de milhões de homens que creem em Deus pelo poder do diabo, enquanto a Igreja fora incapaz de convertê-los. Quantos homens que nunca rezavam, rezam hoje com fervor, graças às instruções desses mesmos demônios! Quantos se veem que, de orgulhosos, egoístas e devassos, se tornaram humildes, caridosos e menos sensuais! E diz-se que é obra dos demônios! Se assim for, é preciso convir que o demônio lhes prestou maior serviço e os assistiu melhor do que os anjos. É preciso ter uma opinião bem pobre do julgamento dos homens neste século, para crer que eles possam aceitar cegamente tais ideias. Uma religião que faz sua pedra angular de semelhante doutrina, que se declara minada na base se lhe tirarem seus demônios, seu inferno, suas penas eternas e seu Deus sem compaixão, é uma religião que se suicida.

18.– Deus, diz-se, que enviou seu Cristo para salvar os homens, não provou seu amor por suas criaturas e as deixou sem proteção? Sem dúvida nenhuma, Cristo é o divino Messias, enviado para ensinar aos homens a verdade e mostrar-lhes o bom caminho; mas, desde então, contai o número daqueles que puderam ouvir sua palavra de verdade, quantos morreram e morrerão sem a conhecer, e, entre os que a conhecem, quantos há que a põem em prática! Por que Deus, em sua solicitude pela salvação de seus filhos, não lhes enviaria outros mensageiros, vindo à terra inteira, penetrando nos mais humildes redutos, na casa dos grandes e dos pequenos, dos sábios e dos ignorantes, dos incrédulos como dos crentes, ensinar a verdade aos que não a compreendem, acudir por seu ensino direto e múltiplo à insuficiência da propagação do Evangelho, e apressar assim o advento do reino de Deus? E quando esses mensageiros chegam em massas incontáveis, abrindo os olhos aos cegos, convertendo os ímpios, curando os doentes, consolando os aflitos a exemplo de Jesus, vós os repelis, repudiais o bem que eles fazem, dizendo que são os demônios! Tal é também a linguagem dos fariseus a respeito de Jesus, pois também eles diziam que ele fazia o bem pelo poder do diabo. O que lhes respondeu ele? “Reconhecei a árvore pelo fruto; uma má árvore não pode dar bons frutos.”

Mas para eles, os frutos produzidos por Jesus eram maus, porque ele vinha destruir os abusos e proclamar a liberdade que devia arruinar-lhes a autoridade; se ele tivesse vindo adular seu orgulho, sancionar suas prevaricações e apoiar seu poder, teria sido a seus olhos o Messias esperado pelos judeus. Ele era sozinho, pobre e fraco, fizeram-no perecer e acreditaram matar sua palavra; mas sua palavra era divina e sobreviveu-lhe. No entanto ela se propagou com lentidão, e após dezoito séculos, mal é conhecida pela décima parte do gênero humano, e cismas numerosos ocorreram no seio de seus próprios discípulos. É então que Deus, em sua misericórdia, envia os Espíritos para completá-la, pô-la ao alcance de todos, e espalhá-la por toda a terra. Mas os Espíritos não estão encarnados num único homem, cuja voz seria limitada; eles são incontáveis, vão a toda parte e não se pode apanhá-los, eis porque seu ensinamento se espalha com a rapidez do relâmpago; eles falam ao coração e à razão, eis porque são compreendidos pelos mais humildes.

19.– “Não é indigno de celestes mensageiros, dizeis vós, transmitirem suas instruções por um meio tão vulgar quanto o das mesas falantes? Não é ultrajá-los supor que eles se divertem com trivialidades e deixam sua brilhante morada para se pôr à disposição do primeiro que chega?”

Jesus não deixou a morada de seu Pai para nascer num estábulo? Onde vistes, aliás, que o Espiritismo atribuísse as coisas triviais a Espíritos superiores? Ele diz, ao contrário, que as coisas vulgares são o produto de Espíritos vulgares. Mas, por sua própria vulgaridade, elas impressionaram mais as imaginações; serviram para provar a existência do mundo espiritual e mostraram que esse mundo é completamente diferente do que se imaginara. Era o início; era simples como tudo o que está começando, mas a árvore saída de uma sementinha não deixa de estender, mais tarde, sua folhagem ao longe. Quem teria acreditado que da miserável manjedoura de Belém sairia um dia a palavra que devia agitar o mundo?

Sim, Cristo é o Messias divino; sim, sua palavra é a de verdade; sim, a religião fundada sobre essa palavra será inabalável, mas com a condição de seguir e de praticar seus sublimes ensinamentos, e de não fazer do Deus justo e bom que ele nos ensina a conhecer, um Deus parcial, vingativo e sem compaixão.