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Lucia Moysés

Já reencarnamos inúmeras vezes e, desta vez, estamos de volta ao nosso planeta, compartilhando-o com mais de sete bilhões de pessoas. Os adultos, trazendo na memória um tempo que passou, não tão distante, mas muito diferente do atual; os jovens e crianças, desfrutando de um momento mágico, em que a tecnolo­gia lhes coloca ao alcance da mão uma infinidade de possibilidades de conheci­mento e comunicação, inimagináveis aos seus pares de outrora.

Uma única edição de um grande jor­nal como o “The New York Times” (Es­tados Unidos) ou “The Guardian” (Reino Unido) traz mais informação do que uma pessoa poderia ter durante toda a sua vida na Idade Média. O Facebook – a maior rede social mundial – consegue interco­nectar um bilhão de usuários todos os dias, o mesmo número de usuários regis­trados no WhatsApp.

Tanta novidade é, sem dúvida, sinal de que estamos avançando. É a Lei do Progresso se fazendo presente aos nossos olhos.

Mas, talvez porque todas essas tec­nologias sejam ainda muito novas, es­tejamos nos confundindo na utilização dessas facilidades que Deus permitiu chegassem até nós.

Como espíritas, seria bom que esti­véssemos alertas para alguns aspectos negativos que vêm sendo apontados por estudiosos acerca do uso dessas novas tecnologias de informação e comunica­ção.

Se temos como meta existencial a nossa melhoria como ser humano, tor­nando-nos mais compassivos, mais to­lerantes e mais harmonizados no nosso conviver, deveríamos estar mais atentos à forma como utilizamos, por exemplo, as redes sociais ou as informações dispo­níveis na internet. E mais: como pais e educadores, nosso papel deveria ser o de orientar os mais jovens quanto a certos aspectos comprometedores de tais meios.

Com tanta informação disponível, há pesquisas que apontam problemas éticos na apropriação de dados da internet. O Laboratório de Pesquisa da UniCarioca publicou, em 2015, um estudo apontando que quase 70% dos estudantes entrevis­tados admitiram copiar textos da web, assinando-os como seus.


António Damásio, renomado neuro­cientista da Universidade do Sul da Cali­fórnia, analisando o que acontece com as crianças que estão sendo informadas, na TV ou via internet, sobre dramas huma­nos que ganham apenas alguns segundos dos noticiários, descobriu que elas não estão conseguindo desenvolver o senti­mento de compaixão em função da pouca empatia que sentem pelo próximo.

Resultado parecido foi encontrado em uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Michigan comparan­do dados da juventude atual com as das décadas de 1980-1990. As evidências apontaram que a atual é menos empáti­ca que a daqueles períodos e que houve um aumento no número de delitos contra grupos estigmatizados ou marginaliza­dos. O ponto de partida desses estudiosos foi a constatação de que as redes sociais podem provocar um isolamento social em termos de contatos reais. E isolados, colocando-se por detrás da tela de um aparelho, os jovens estão agredindo mais, assumindo no mundo virtual uma atitude que não tomariam se estivessem perto da pessoa atacada.

Nessa mesma direção, uma pesquisa feita pela Associated Press-MTV, com participantes de 14 a 24 anos de idade, encontrou resultados semelhantes. Nela, 71% dos participantes disseram que o uso da linguagem racista e sexista é mui­to mais provável quando se está online do que frente a frente.

No seu mais recente livro, “The APP Generation”, Howard Gardner traz rela­tos de jovens afirmando que dizem coisas ofensivas e desagradáveis quando estão online, sem se importarem muito com os sentimentos dos outros, mas que não o fariam de forma presencial. Diante de fa­tos dessa natureza, ele pondera que, ape­sar das imensas possibilidades de se co­nectar com os outros, independentemente de local ou distância, é muito difícil, “se não impossível”, alcançar um grau de co­nexão profunda e afetuosa que se obtém mediante o contato pessoal.
 
Estas são apenas algumas anota­ções sobre o mundo moderno, mas que permitem refletir sobre o modo com que estamos utilizando os instrumentos que, seguramente, vieram para ajudar o nosso progresso moral. “A vida social é a pedra de toque das boas e das más qualidades”. Assim se expressou Allan Kardec na obra “O Céu e o Inferno”, quando tratou do progresso moral, demonstrando que este decorre do progresso intelectual.

Usando nossa inteligência na apro­priação adequada de tais instrumentos, estaremos, sem dúvida, caminhando rumo à conquista do nosso progresso moral.

(Extraído de: SEI - Serviço Espírita de Informações, Edição 2263, de Agosto 2016 - http://www.boletimsei.org.br/?wpfb_dl=513)