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Não peques mais, para que não te suceda coisa pior. Jesus (Jo. 5,14.)

O pecado e a consequência. O equívoco moral e comportamental e as doenças. A causa e o efeito.

No dizer de Joanna de Ângelis (1): Por enquanto, estamos todos doentes, conduzindo conosco doenças aflitivas que nos apraz cultivar.

Doentes - porque, perseverando no egoísmo, mantemos os germes destruidores que se chamam ira, vaidade, paixão...

Doentes - porque nos comprazemos, quando feridos, em também ferir; angustiados, desferir dardos de mau-humor; aflitos, espalhar inquietações.

Doentes - porque clareados pela fé nobre e pura, racional e dinâmica a espraiar-se da Doutrina Espírita, povoamos a mente de sonhos ilusórios e esquecemos os deveres primaciais da sublimação interior com o firme propósito de melhoria incessante.

Doentes - porque conservamos azedume, cultivamos maledicências, atendemos apelos pouco dignificantes.

Doentes - porque não sabemos, enfermos e ignorantes que somos, aproveitar o tempo de que dispomos, valorizando as oportunidades que nos são oferecidas.

 O Espírita sabe, pela Lei da Reencarnação que conhece, que não há doenças, mas sim doentes.

As chagas da alma se manifestam através do envoltório humano. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um conjunto de inferioridade do aparelho psíquico.

 E é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos. (...) O remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço. (2)

Todavia, Jesus é o Médico Divino e a Sua Doutrina é o medicamento eficaz de que nos podemos utilizar com resultados imediatos.

Não por outras razões, que a terapia espírita compreende a aplicação de passes, a disponibilização e a orientação de uso de água fluidificada e, fundamentalmente, o convite ao esforço da pessoa assistida pela sua renovação moral sempre para melhor, vivenciando os postulados espíritas, recolhidos nas reuniões de ensino que os Centros Espíritas promovem regularmente. Ou seja, prescreve aquilo que é essencial ao Espírito, fonte geratriz das qualidades e dos defeitos do corpo físico.

As posições até aqui expostas não invalidam a existência de médiuns classificados como curadores, segundo Allan Kardec, mas alerta para a maneira de aplicação desses recursos.

Antes de seguirmos com o assunto principal, lembramos ao leitor que mediunidade é a faculdade que permite às criaturas encarnadas o registro de outras dimensões espirituais. É de todos os tempos na história da Humanidade e não constitui exclusividade do Espiritismo.

Os médiuns, que são aqueles que têm tal faculdade de registrar o mundo espiritual, sentindo a influência dos Espíritos por efeitos bem patentes, de certa intensidade, formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos.

 Continuemos.

Sitiados por complexa maquinaria social promotora do desequilíbrio de variadas facetas, com um quadro social precário de valores éticos e morais, tão carente de soluções para instalar a ordem e conter a violência, é natural, e altamente positivo e louvável, o desejo de se promover a divulgação do Espiritismo, a fim de que todos tomem contato com suas páginas de luz consoladora e instrução orientativa superior. No entanto, nem toda ação que se propõe a difundir Espiritismo e conquistar novos adeptos alcança o seu desiderato.

Vejamos exemplos.

Ainda encontramos no meio espírita a prática de certos médiuns curadores se fazerem itinerantes, objetivando distribuir seus recursos lenitivos em variados rincões, e com isso estarem divulgando a mensagem espírita.

Ainda no campo das chamadas curas que se oferece, ainda há Centros Espíritas que mantém reuniões especiais para tal fim, bem como para recepcionar os médiuns itinerantes. Tais Centros e tais médiuns quase sempre consideram de grande importância a permanência dessas reuniões voltadas para o público em geral, por entenderem que através das preditas curas, estariam contribuindo para fazer novos adeptos, aqueles que se sentissem beneficiados com tais dádivas.

No que pese a efetiva possibilidade de um médium curador lenir dores e sofrimentos, em certas situações, há que se ponderar determinados aspectos de tais práticas, que acabam por desaconselhá-las, porque não atendem nem a um nem a outro objetivo.

Alguns aspectos:

Nem toda enfermidade encontrará a cura:

A maioria das moléstias, como todas as misérias humanas, são expiação do presente ou do passado, ou provações para o futuro; são dívidas contraídas, cujas consequências devem ser sofridas, até que tenham sido resgatadas. Não pode ser curado aquele que deve suportar sua provação até o fim, conforme esclarece Allan Kardec.(3)

Não se deve prometer o que se sabe não ser possível na generalidade dos casos:

Indagareis, aflitos, quanto às moléstias incuráveis pela ciência da Terra e eu vos direi que a reencarnação, em si mesma, nas circunstâncias do mundo envelhecido nos abusos, já representa uma estação de tratamento e de cura e que há enfermidades d'alma, tão persistentes, que podem reclamar várias estações sucessivas, com a mesma intensidade nos processos regeneradores. (4)

Aquele que busca cura, o faz em nome de suas necessidades e padecimentos. Na maioria dos casos, já recorreu a outras diversas alternativas. Assim, vê na reunião especial para curas num Centro Espírita, uma promessa explícita. Tanto assim que há uma reunião especialmente dirigida aos necessitados como ele. O que pensará ele se não alcançar a cura desejada?

O engano em se imaginar que os Espíritos estão ao inteiro dispor do médium, a qualquer momento e em qualquer lugar para fazerem o que este queira:

Allan Kardec leciona-nos que: A aptidão para curar é inerente ao médium, mas o exercício da faculdade só tem lugar com o concurso dos Espíritos. De onde se segue que se os Espíritos não querem, ou não querem mais servir-se dele, é como um instrumento sem músico, e nada obtém. Pode, pois, perder instantaneamente a sua faculdade, o que exclui a possibilidade de transformá-la em profissão.(5)

Desconsiderar os inconvenientes de atuação mediúnica fora da reunião mediúnica:

O Espírito Camilo perguntado: Há inconveniente no exercício explícito da mediunidade fora da reunião mediúnica? (6)

Assim respondeu:

É desaconselhável que o exercício mediúnico explícito se dê fora do contexto que lhe daria, em tese, respaldo, limpidez e segurança. É como indagar a um cirurgião se ele poderia operar fora da sala cirúrgica. Sim, é certo que pode, mas o paciente estaria exposto a toda sorte de desnecessários riscos, a contaminações inabordáveis.

É indevida a atuação mediúnica em várias Casas Espíritas:

Uma vez mais Camilo se manifesta esclarecendo dúvidas: Que tipo de compromisso tem o médium com a Casa cuja reunião mediúnica ele frequenta? Pode ele participar de reuniões em outros Centros? (7)

O médium tem, para com a Instituição que frequenta, o compromisso que tem um membro de qualquer equipe incumbida da realização de uma grave tarefa.

(...) É concebível que essa multiparticipação acabe por causar transtornos não só à mente do sensitivo, como também à própria estrutura da atividade à qual ele menos se afine ou não se afine de nenhum modo.

É muito importante que os médiuns se dediquem a servir ao bem na Instituição da sua confiança, onde encontrem afinidade espiritual para integrar-se e, psiquicamente, entregar-se à condução de valorosos dirigentes.

A leviandade de se promover o fenômeno mediúnico com a pretensão de fazer novos adeptos:

Aqui é o Espírito Emmanuel que foi questionado:

É justo que um médium confie em si mesmo para a provocação de fenômenos, organizando trabalhos especiais com o fim de converter os descrentes? (8)

Onde o médium em tão elevada condição de pureza e merecimento, para contar com as suas próprias forças na produção desse ou daquele fenômeno? Ninguém vale, na Terra, senão pela expressão da misericórdia divina que o acompanha, e a sabedoria do plano superior conhece minuciosamente as necessidades e méritos de cada um. A tentativa de tais trabalhos é um erro grave. Um fenômeno não edifica a fé sincera, somente conseguida pelo esforço e boa-vontade pessoal na meditação e no trabalho interior. Os descrentes chegarão à Verdade, algum dia, e a Verdade é Jesus. Anteciparmo-nos à ação do Mestre não seria testemunho de confusão? Organizar sessões medianímicas com o objetivo de arrebanhar prosélitos é agir com demasiada leviandade. O que é santo e divino ficaria exposto aos julgamentos precipitados dos mais ignorantes e ao assalto destruidor dos mais perversos, como se a Verdade de Jesus fosse objeto de espetáculos, nos picadeiros de um circo.

Outrossim, Allan Kardec enfatiza:

Falsíssima idéia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais (...) Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso.(9)

A prática do bem não pede situações especializadas:

O Espírito Emmanuel assim trata a questão, como se lê no livro O Consolador, questão 104: Existem condições especiais para que os Espíritos amigos possam fluidificar a água pura, como sejam a presença de médiuns curadores, reuniões de vários elementos, etc., etc.?

A caridade não pode atender a situações especializadas. A presença de médiuns curadores, bem como as reuniões especiais, de modo algum podem constituir o preço do benefício aos doentes, porquanto os recursos dos guias espirituais, nessa esfera de ação, podem independer do concurso medianímico, considerando o problema dos méritos individuais.

Conclusões:

Com essas rápidas considerações, colhidas de autores consagrados, conclui-se que o médium de cura deve atuar na sua Casa Espírita, do mesmo modo que os outros médiuns ali colaborem, sem razão para qualquer reunião especial a fim de que este possa participar.

Deverá, isto sim, estar vinculado aos estudos, à prática do bem, engajado nas tarefas da Casa, participar, juntamente com os demais que sejam escalados para transmissão de passes ao final das reuniões de estudos, de palestras, de atendimento fraterno, sem guardar a pretensão de curar a quem quer que seja.

O especial é o conjunto de atividades do Centro Espírita, não a mediunidade desse ou daquele tipo, até porque, para um Centro Espírita manter-se em atividade, não há a necessidade de ali existirem médiuns, assim entendidos aqueles que se enquadrem na conceituação kardeciana.

Não assiste nenhuma razão doutrinária para que um médium curador se ponha a ir de porta em porta em exercício de suas faculdades. Todas as razões indicam que essa prática somente presta um desserviço às faculdades do médium, bem como ao Movimento Espírita.

A pessoa que alcance, pelos seus próprios méritos, a condição de se ver livre desse ou daquele padecimento, isso lhe acontecerá, quer esteja num Centro Espírita, numa Sinagoga, num templo Católico, Protestante, Budista, ou de qualquer outra denominação; ou esteja em um consultório médico, no seu lar, em suas orações, em seus quefazeres profissionais. Enfim, Deus, que é justo, não fará com que o padecente sofra um instante qualquer a mais do que o merecido. Não irá fazer por donde o enfermo tenha que ir a um lugar especial, para ter com uma pessoa especial, numa reunião especial, para que se dê o início do usufruto das benesses conquistadas.

O papel da Medicina na Terra:

A esse respeito, Emmanuel responde à seguinte pergunta: Como é considerada nos planos espirituais a medicina terrena? (10)

A medicina humana, compreendida e aplicada dentro de suas finalidades superiores, constitui uma nobre missão espiritual.

O médico honesto e sincero, amigo da verdade e dedicado ao bem, é um apóstolo da Providência Divina, da qual recebe a precisa assistência e inspiração, sejam quais forem os princípios religiosos por ele esposados na vida.

Nada mais apropriado ao bom senso que o Espiritismo preconiza pelas lúcidas proposições de seus princípios e de seus valores, que o Espírita deixe a medicina para os médicos, e que aprendamos a recorrer aos conselhos médicos de forma preventiva; que deixemos ao Centro Espírita as funções que lhe são próprias, e que deixemos a cada um, Espírita ou não, construir o seu viver segundo os seus valores ético-morais-comportamentais, memorizando: Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do Reino Divino aos teus órgãos. Eles são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito para a inutilidade.(11)

Bibliografia:
1. FRANCO, Divaldo Pereira. Doentes e doenças. In:___. Lampadário espírita. Pelo espírito Joanna de Ângelis. 6. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1996. cap. 23.
2. XAVIER, Francisco Cândido. Ciência. In:___. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 16. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1993.pt. I, perg. 96.
3. ENSAIO teórico das curas instantâneas. Revista espírita, São Paulo, EDICEL, mar. 1868.
4. XAVIER, Francisco Cândido. Ciência. In:___. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 16. ed. Rio[de Janeiro]: FEB, 1993. pt. I, perg. 96.
5. CONSIDERAÇÕES sobre a propagação da mediunidade curadora. Revista espírita, São Paulo, EDICEL, nov. 1866.
6. TEIXEIRA, José Raul. Sobre a vivência da mediunidade. In:___. Desafios da mediunidade. Pelo espírito Camilo. 2. ed. Niterói: FRÁTER, 2001. pt. III, perg. 55.
7. ______. Op. cit. pt. III, perg. 56.
8. XAVIER, Francisco Cândido. Religião. In:___. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 16. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1993. pt. III, perg. 390.
9. KARDEC, Allan. Conclusão. In:___. O livro dos espíritos. 79. ed. Rio[de Janeiro]: FEB, 1997. pt. VI.
10. XAVIER, Francisco Cândido. Ciência. In:___. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 16. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1993. pt. I, perg. 94.
11. ______. Socorre a ti mesmo. In:___. Pão nosso. Pelo espírito Emmanuel. 23. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003. cap. 51.

(http://www.mundoespirita.com.br/index.php?act=conteudo&conteudo=141